Cadernos Históricos: Marx e o Materialismo Histórico

Depois de um mês de intenso trabalho para o Parlamento Europeu dos Jovens e para o Jornal Moderno, venho aqui colocar o meu contributo. Desfrutem. ( Peço desculpa mas parece ser impossível colocar um texto em justificado)

Proletários de todo o mundo, Uni-vos!

Karl Heinrich Marx foi sem dúvida um dos grandes pensadores do século XIX, deixando um enorme legado político inaugurado em 1917 com a Revolução Bolchevique. Nasceu em 5 de Maio de 1818 na pitoresca cidade de Tréveris na Alemanha no seio de uma família judaica abastada. Iniciou um curso de Direito em Bonn, que continuaria em Berlim, mas não lhe daria a atenção necessária – preferia a filosofia, a história e a literatura. Desde cedo interessou-se pela filosofia hegeliana (G.W.F. Hegel 1770-1831), nomeadamente pela sua dialéctica idealista. Esta teoria visava explicar o desenvolvimento humano através de três fases: a da tese, a da antítese e a da síntese. Com efeito, a história humana desenrola-se a partir de uma tese intelectual que se propõe. Posteriormente, esta é contraposta por outra tese antagónica. Este impasse é resolvido pela conciliação das premissas em comum formando-se uma síntese que seria a próxima tese. Marx adoptou a metodologia hegeliana das três fases mas rejeitou que a evolução humana fosse prescrita por teses ou ideias. Em alternativa, propôs que a construção de um novo paradigma (a síntese) fosse provocada pelas enormes contradições dentro de um sistema político-económico (princípio materialista). Marx criticava Hegel, afirmando: A ideia não é nada mais do queo mundo material reflectido pela mente humana, e traduzido em formas de pensamento”. Assim, Marx aplicando a metodologia hegeliana sob o princípio materialista elabora o materialismo dialéctico, mostrando a preponderância das relações económicas dentro de uma sociedade. A partir desta teoria vai induzir uma abordagem científica à história humana chamada o materialismo histórico, perfazendo um total de 6 fases históricas, sendo que as duas últimas eram previsões de Marx. Sucintamente, o materialismo histórico estipula que o progresso humano é desencadeado pela luta de classes, culminando cada fase histórica com a substituição da classe dominante por outra. A primeira, largamente desenvolvida por Engels em A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, é a do Tribalismo ou Comunismo Primitivo. Engels imaginou que durante os primórdios da humanidade a produção era escassa, possibilitando fracas hipóteses de sobrevivência às tribos humanas. Assim, as tribos esforçavam-se equitativamente para obterem a sua comida, distribuindo-a de igual modo, verificando-se a ausência de propriedade privada e de classes económicas. No entanto, a amenização das condições geofísicas e a prática da agricultura, através da sedentarização, permitiu a transição de tribos para comunidades fixas. Assim sendo, surgiu a necessidade de dirigir a economia e o comércio florescentes, brotando uma classe dirigente e intelectual na comunidade, esboçando-se o primeiro modelo de Estado e de propriedade privada. Esta classe apoderou-se dos excedentes de produção e dedicou-se às actividades não-produtivas, Este período transitório deu azo à alteração das relações sociais (relações de produção) em que a exploração do trabalhador era legitimada pelo nascimento do conceito de propriedade privada (detinham os meios-de-produção), transformando o comunismo primitivo num Esclavagismo. Identificamos esta segunda fase com as relações de produção existentes na Grécia e Roma Antigas. Os senhores eram donos dos escravos mas eram também os pioneiros nos avanços técnico-científicos. Porém, o avanço da técnica (parte integrante das forças produtivas) não se coadunava com o estatuto de escravo que tinham os trabalhadores. Esta classe sem posses (que nem era dona da sua própria liberdade) começou a boicotar regularmente a produção, uma vez que não tinha interesse nas novidades técnico-científicas. Para que a produção crescesse e se diversificasse foi necessária uma alteração nas relações de produção. O escravo tornou-se vassalo, beneficiando de alguns direitos como a protecção do suserano ou o direito de poder vender parte do que produzia. Assim surgiu o Feudalismo, a terceira fase consagrada por Marx. Todavia, novamente as contradições internas deste sistema foram-se intensificando ao longo dos séculos. As forças produtivas tinham evoluído abismalmente, dando proeminência económica a uma classe endinheirada e dotada de conhecimento – a burguesia. Porém, as relações de produção mantiveram-se as mesmas, preservando a sociedade por ordens, em que se privilegiava o nascimento aristocrata e a legitimação divina, em detrimento da fortuna como critério para a ascensão social. Esta enorme contradição culminou na Revolução Americana e Francesa no final do século XVIII. Assim, a burguesia ganhou a elevação política que desejava, alterando as relações de produção, salvaguardando os seus interesses através do Capitalismo e abrindo caminho à maior inovação produtiva. A sua base material, junção entre relações de produção e forças produtivas, alicerçou o surgimento da superstrutura burguesa (conjunto de leis, filosofia, literatura, arte, etc aficionadas à classe dominante), principiando uma nova etapa histórica. Marx viveu esta 4ª fase da história humana, marcada pelo Liberalismo, Capitalismo, Revoluções Agrícolas e Industriais e Romantismo. A industrialização, segundo Marx, desencadeou a alienação pelo trabalho, isto é, o proletário só podia expressar a sua individualidade através da sua actividade laboral que dependia exclusivamente do patrão. Dado que a mecanização das funções produtivas era crescente, o trabalhador foi subalternizado para instrumento de produção, deixando de se poder expressar criativamente. Esta situação, segundo Marx, perpetuava a exploração do proletariado. No entanto, Marx professava a queda iminente desta nova ordem. Acreditava que a alienação pelo trabalho, o desemprego crónico e o decrescente poder de compra não eram coerentes com a produção em massa desgovernada. As contradições internas deste sistema intensificar-se-iam de tal maneira que as relações de produção estariam colossalmente díspares das forças produtivas, isto é, burguesia concentraria em si toda a riqueza e o proletariado
“nada tem a perder a não ser os seus grilhões”. Marx acreditava que o proletariado provocaria uma revolução violenta, derrubando o Estado burguês e instaurando a ditadura do proletariado. Esta seria a 5ª fase, a do Socialismo, em que o proletariado no poder nacionalizava todos os meios-de-produção e colectivizava as terras acabando assim com a propriedade privada, eliminando a distinção e a luta de classes. Depois de reorganizada, a sociedade caminharia para um estado de igualdade e liberdade, em que a produção seria equitativamente distribuída e a paz perduraria – atingir-se ia então o Comunismo – a 6ª fase e o fim da história

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About João Quartilho

Estudante na FDUCP

Posted on Novembro 29, 2011, in Educação. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. João
    Algumas dúvidas e questões.
    A ditadura do proletariado necessitará de lideres, certo? Como será possível garantir que esses lideres não se transformem em burgueses de novo? É a tendência natural do ser humano.
    As experiências URSS e da RPC mostram isso mesmo.
    E o que fazer com os burgueses? Eles ainda são uns bons milhões!
    E como regular as relações financeiras e monetárias entre estados?
    Ou é para voltarmos ao tempo da trocas de bens?
    Teremos com a ditadura do proletariado de regressar a que estágio civilizacional?
    Um artista, um cientista, um político são eles proletários?
    As perguntas estão propositadamente desarrumadas como se de uma discussão encalorada se tratasse pois elas foram surgindo ao correr da pena.

    Como ponto final quero dizer-te que de uma forma geral gostei muito do texto e da forma concisa e clara como escreves.

    Continua, estás no caminho certo.

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