Chega! Há que dizer BASTA!

Quando Manuela Ferreira Leite (MFL), durante a pré-campanha eleitoral de 2009, disse num jantar-comício que o país precisava de 6 meses de ditadura para pôr as contas públicas em ordem, vieram logo à imprensa os paladinos da república (dos quais eu) da esquerda à direita contra este tipo de diktats políticos. Ora, hoje arrependo-me de ter vociferado contra a viscondessa laranja.

No entanto, isto não é, de maneira alguma, a apologia do diktat da troika, imbuído de um neo-liberalismo cego, surdo e mudo, incapaz de responder aos novos desafios de uma economia globalizada. Pelo contrário! MFL tem razão numa coisa. Não há maneira de resolver os problemas num regime, quando o próprio regime falha em se diagnosticar. A República democrática, parlamentar portuguesa está enferma. Porém, a solução não será a antiga república bolchevique totalitária ou um regime salazarista corporativo. Infelizmente, também não podemos importar e aplicar o modelo nórdico de governação por três motivos essenciais: a) estamos na zona euro, o que nos leva a constrangimentos na política monetária que não se colocaram aos países nórdicos; b) duvido que Portugal esteja dotado de uma mentalidade capaz de suportar, em justiça, um regime tão equilibrado; c) todos os países nórdicos são pletóricos em recursos energéticos – é pura e dura demagogia ignorar este facto quando se estuda o modelo de financiamento do Estado social nórdico.

Ainda não há um modelo delineado, ainda não chegou um Lenine ou um Mussolini para criar um novo paradigma de governação. Ainda assim, podemos agir. É bastante fácil na verdade. Os movimentos dos Indignados com Wall Street espalharam-se por todo o mundo. Felizmente o contágio grego não é só a nível financeiro! Está na altura de responsabilizarmos os políticos e CEOs pela trapalhada que fizeram da economia internacional. Como Ted Rall afirmou no Manifesto Anti-Americano, no dia em que Sarkozy for puxado pelos Campos Elísios e confrontado pelos franceses é que assistiremos a uma mudança profunda. Hoje não há qualquer respeito pelos protocolos democráticos. Assim sendo, não há sentido algum em continuar a colaborar com um status quo que se tenta salvar com uma retórica de reformismo que ainda por cima tarda a chegar. Chega! Há que dizer BASTA! Para aqueles que gostam de etiquetar tudo através da história, gostava-lhes de lembrar que o fundador do Liberalismo, John Locke, disse peremptoriamente que se os cidadãos se sentissem ultrajados pela governação efectuada, tinham o direito de derrubar esses falsos representantes da vontade pública e eleger novos actores políticos.

Porque é que ainda não o fizemos? Parece-me óbvio… Quantos de vós conhece John Locke? Quantos de vós conhece o Contrato Social estabelecido na obra Dois tradados de governo civil ? Se Locke vivesse o martírio desta conturbada época, dir-nos-ia com certeza que os derivados financeiros são um roubo; que não é do interesse comum da população pagar Parcerias Público-Privadas que só alimentaram a Mota-Engil & Amigos, LDA; que o senhor Alberto João Jardim já teria sido decapitado por Henrique VIII.

Estão à espera do quê? Vão ler Locke! Marx! Rousseau! Lenine! Mário Soares! Saramago! Leiam esses todos e mais alguns. Leiam sem cessar… Leiam até a Revolução bater à porta. Um de vocês será um Lenine ou um Mussolini, mas de qualquer maneira, tolerar este status quo é imperdoável.

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About João Quartilho

Estudante na FDUCP

Posted on Outubro 14, 2011, in Europa, Mundo, Portugal. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. João
    Tens razão
    O actual modelo é mau, mas a possibilidade de cairmos numa anarquia ainda é pior, pois as pessoas são as mesmas.
    Todos temos de lutar por uma absoluta transparência no Estado e por claras explicações dos motivos desta ou daquela política e porque não se optou por outras alternativas.
    Tal como não se viu no Orçamento de 2012. Aumentou-se os impostos, carregou-se sobre o funcionalismo público como se este estivesse infectado. Não se explicou porque não se alargou a medida do Sub.Férias e 13º ao setor privado através de uma medida semelhante à de este ano e só se atacou os funcionários publicos. É uma medida profundamente injusta pois quando se atinge pessoas que ganham 1000 euros estamos a atingir alguns dos mais pobres.
    Porque não se atacou as PPP’s ou não se acabou com a nova ligação férrea.
    Se se diz que estamos numa situação de emergência nacional qualquer governo tem a legitimidade de tomar as medidas que mais depressa resolvam a sitaução, mas este governo não é capaz de tocar nos poderes instituidos.
    Se uma PPP é um desastre para a país ela deve pura e simplemente ser anulada e renegociada do zero.
    A banca (nacional e internacional) tem culpas até que baste neste cartório! Emprestou indiscriminadamente e continua a ganhar gigantescas fortunas em juros.
    É outro assunto que ninguém fala!
    Já passaram 3 meses e nada foi feito!
    Não sei bem qual a solução que tem de passar por todos, mas também é certo que não serão certamente através de processos anárquicos como Assembleias populares sem rei nem roque. Treinadores de bancada temos demais.
    Pai

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