O “ralhete” de Obama

Admitimos muitos disparates e verborreias despidas de sentido todos os dias. Que os nossos avós façam troça das nossas preferências políticas sem grande altercação, que um professor diga uma baboseira histórica de vez em quando, que tenhamos um Alberto João Jardim a brincar aos Ditadores Latinos 2011; mas há coisas que não admitimos (ou melhor, não devíamos admitir) que é uma lição moralista de um americano, pior, do Presidente que maior desapontou o mundo, o Presidente Obama. Barack Obama alega que a Europa está a impedir o crescimento económico americano e que estamos a ameaçar a economia global por incompetência.

Obama teve imensas oportunidades para se provar competente, contudo só emergiu vitorioso somente uma vez. Não fechou a Prisão de Guantanamo mas reforçou o contingente militar no Afeganistão; manteve as pessoas responsáveis pela Crise Subprime no seu gabinete (veja-se Larry Summers até muito recentemente – ver filme Inside Job) mas não advogou a perseguição aos culpados desta crise; não responsabilizou a BP quando a empresa fez um derrame brutal de petróleo no Golfo do México nem revogou o Patriot Act que torna os EUA numa ditadura federal (Lei esta que permite ao Governo interceptar qualquer comunicação dos civis e lê-la); assiste à crise diplomática entre a Palestina e Israel e decide, novamente, pela potência imperialista que é Israel; celebrou a morte de Bin Laden, desrespeitando qualquer dignidade humana intrínseca à condição de homo sapiens sapiens
e estando quase no final do seu mandato ainda não tirou o seu país do buraco económico-financeiro.

Ora, dada esta curta mas incompleta descrição, perguntar-me-ão se este senhor é o mesmo americano que, segundo alguns conceituados analistas, vociferava demagogicamente contra a desregulação e contra às brutais discrepâncias sociais nos EUA em 2008. Infelizmente é. Aliás, é o mesmo senhor que não demonstra qualquer iniciativa em derrubar o regime de Bashar Al-assad que já denunciei inúmeras vezes neste blogue. É o mesmo senhor que tinha a receita milagrosa para acabar com os problemas financeiros. Contudo, não a aplicou, os ricos tiveram de fazer uma petição para ser taxados já no final do mandato, e os custos militares continuam astronómicos.

Os EUA hoje estão fracos, estando a caminhar para perder a sua preponderância mundial, instaurando uma nova era global. Sem dúvidas que os processos retardantes da U.E e os seus dogmas ideológicos irão também ajudar a cavar o sepulcro da Grécia, Portugal e mesmo da Alemanha.

No entanto não nos preocupemos, porque em caso de falência geral da Europa, Obama deverá ter uma empresa de mercenários e um banco multinacional de solidezes financeiras AAA+++ para nos acompanhar no processo típico de “reestruturação politico-económica” do FMI.

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About João Quartilho

Estudante na FDUCP

Posted on Setembro 27, 2011, in Mundo. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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